Entre os dias 1º
e 5 de dezembro de 2010 o Brasil sediará a I Conferência Mundial sobre o
Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social, proposta gestada
pelos movimentos sociais em 2007, durante o Fórum Social Mundial realizado em
Nairóbi, e encampada pelo governo brasileiro por meio dos ministérios da Saúde,
da Previdência Social e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
O objetivo
político da Conferência é favorecer as condições para maior centralidade da
defesa da universalização de direitos na agenda política de governos e
movimentos sociais em todo o mundo.
A CUT faz parte
da comissão organizadora e tem envidado esforços para contribuir no processo de
mobilização do movimento sindical nacional e internacional, juntamente com a
CSA – Confederação Sindical das Américas, que incorporou firmemente a
realização da conferência em suas estratégias em defesa da seguridade social,
de forma articulada com a Plataforma Continental das Américas em Seguridade
Social, aprovada em março deste ano.
A
Plataforma reúne um conjunto de diretrizes e de ações e será implementada em
âmbito sub-regional e regional, tendo como premissa a defesa de sistemas de
seguridade social universais e solidários e como perspectiva a ampliação da
cobertura da proteção social, o estabelecimento de pisos básicos, o combate a
acidentes e doenças causados pelo trabalho, dentre outros pontos, tendo por
base a defesa da Convenção 102 da OIT e o Trabalho Decente.
Os debates em
torno da seguridade social têm adquirido novos contornos em vários países no
período recente, cenário em que a crise econômica mundial tem revigorado a
disputa em torno dos modelos de desenvolvimento, em especial no tocante ao
papel do Estado, à abrangência e financiamento das políticas públicas.
A realização da
Conferência no Brasil tem uma grande importância política, em especial pela
reafirmação do modelo de seguridade social que asseguramos na contramão da onda
neoliberal, em 1988, na Constituição Federal e pela melhoria nos indicadores
sociais e econômicos no país nos últimos 7 anos, que nos animam ainda mais a
reivindicar a ampliação e o fortalecimento das políticas de proteção social.
Por se tratar de
um processo de discussão que não inicia tampouco se esgota com a realização da
atividade em Brasília e sobre um tema em que a Central tem um acúmulo significativo,
seja na elaboração de propostas ou nas ações de resistência em defesa dos
preceitos constitucionais, é importante que as instâncias e sindicatos filiados
divulguem a Conferência, bem como coloquem em evidência e fortaleçam suas ações
em defesa da seguridade social.
Conforme
divulgado, de um total de 1300 participantes entre delegados, convidados e
observadores nacionais e internacionais, o Brasil terá uma delegação de 300
pessoas, sendo 50% de representantes da sociedade civil e 50% de representantes
do governo. Os delegados foram indicados durante um seminário nacional
preparatório, organizado pelo governo, em dezembro de 2009, do qual
participaram representantes de diversas estaduais da CUT, inscritos, em sua
maioria, pelos Conselhos Estaduais de Saúde.
Os critérios
para a indicação de convidados e observadores ainda estão em discussão.
O processo de
mobilização da Conferência tem gerado novas demandas de participação do
movimento sindical e, em particular, de instâncias e sindicatos cutistas, assunto
que temos pautado nas reuniões da coordenação, com vistas à ampliação da
delegação da Central, contudo, até momento, não se chegou a uma definição.
Dentre outros aspectos, deve-se considerar a necessidade de equilíbrio entre os
movimentos sociais e entre as delegações internacionais e nacionais.
Em relação às
despesas, o governo arcará tão-somente com a alimentação. Transporte e
hospedagem correrão por conta dos próprios participantes e/ou respectiva
entidade representante.
A CUT,
juntamente com a CSA e em parceria com a FES - Fundação Friederich Ebert, está
organizando uma atividade específica do movimento sindical, no primeiro dia da
Conferência, no espaço reservado às atividades autogestionadas, com o objetivo
de construir um posicionamento e contribuições do movimento sindical à
Conferência. Neste espaço, em que teremos maior governabilidade, esperamos
poder contar a participação expressiva de nossas instâncias, Brevemente
divulgaremos o programa e critérios de participação.