Durante
os meses de agosto e setembro, uma equipe, formada por
médicos-auditores do Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do
Sistema Único de Saúde) e técnicos dos Tribunais de Contas do Estado do
Paraná (TCE-PR) e da União (TCU), fará uma auditoria sobre a aplicação
dos recursos federais, estaduais e municipais na área da saúde nos
municípios de Londrina, Umuarama e Foz do Iguaçu.
O TCE, por meio da Diretoria de Análise de Transferências (DAT),
vai participar dos trabalhos de inspeção por causa do conhecimento
acumulado na rigorosa fiscalização que tem empreendido junto aos fundos
municipais de saúde, bem como na análise de contratos de gestão
celebrados entre municípios e organizações do terceiro setor. A DAT é a
unidade do TCE responsável por fiscalizar os convênios, em todas as
áreas, que envolvem recursos municipais ou estaduais no Paraná.
A parceria entre as três instâncias de controle é uma iniciativa
pioneira. O objetivo é somar esforços e conhecimento para aperfeiçoar a
fiscalização numa das áreas mais sensíveis e dispendiosas entre os
investimentos públicos: a saúde.
Os três municípios foram escolhidos atendendo a critérios de risco,
segundo dados extraídos junto ao Departamento de Informática do Sistema
Único de Saúde (Datasus), que registra os procedimentos médicos pagos
pelo SUS em todo o País. Esses registros apontam os pagamentos de
procedimentos médicos que fogem ao padrão nacional apurado pelo órgão.
O assessor da Secretaria de Controle Externo do TCU no Paraná,
Evandro Bulcão Vianna, envolvido nos trabalhos de auditoria, explicou
que outros critérios foram utilizados para a escolha. Entre eles, a
existência de inquéritos e relatórios na Rede de Controle, que inclui,
além do TCE e TCU, a Polícia Federal, Ministério Público Federal e a
Controladoria Geral da União (CGU). Ele destaca que, no caso do dos
municípios paranaenses, foi preponderante para a seleção a vultousidade
de contratos de prestação de serviço e o valor dos procedimentos
médicos-hospitalares pagos aos estabelecimentos, registrados no Datasus.
Os auditores vão examinar desde prontuários de internamento, que
serão conferidos pelos médicos do Denasus – com possíveis visitas aos
pacientes para verificar se o atendimento foi efetivamente prestado –,
até a legalidade dos contratos de convênio entre organizações da
sociedade civil de interesse público (Oscips), organizações
não-governamentais (Ongs) e fundações e os respectivos tomadores dos
serviços – ou seja, os três municípios e o Estado. A intenção da
avaliação do teor destes contratos é conferir se estão em conformidade
com as regras do SUS ou se causam prejuízo ao sistema público.
Ao todo, a equipe permanecerá 30 dias nos três municípios e será
composta por dois médicos do Denasus, dois auditores do TCU e um
analista de controle do TCE-PR. Os trabalhos terão início no dia 16 de